Primeira Versão

Capítulo I


Meia noite. Cansado e com sono, eu vinha caminhando pela rua deserta, quando, de repente, ouvi umas pisadinhas leves atrás de mim. Senti um frio no estômago. Tentei não parecer, mas estava amedrontado.

Tive que atravessar a rua. Aproveitei e dei uma checada. Realmente havia uma sombra, escondendo-se na escuridão de um beco vazio. Agora andava a esmo, sem rumo; não queria ir para casa, pode ser alguém com más intenções e não quero que minha amada sofra por minhas velhas ações. Antes de conhecê-la, trabalhei para a máfia da Itália muitos anos como contador de finanças. Acho que vou a praia, tem um belo café lá, seria um bom lugar para morrer, não estou tão longe.

A perseguição continua, já passa das três horas da madrugada. Estou a cinco quarteirões do café, posso vera praia agora, nela almas perdidas pescam com luminosos. Apesar de todos os meus esforços e toda a iluminação de Nova York, não consigo ver algo além do sobretudo marrom e de seu chapéu preto, onde seu rosto se esconde.

Ele se distanciou de mim, bem quando entrei no café. Pedi um cappuccino e me sento na mesa ao lado do vidro, apreciando a paisagem e pensando em meu amor. Quando me sento, recebo uma mensagem de Donattelo, o chefe da máfia italiana, pedindo-me que volte a máfia. Então ergo meus olhos para o homem que sentou em minha mesa, era o meu perseguidor. -Pelo jeito te alcancei no momento certo. Donattelo te enviou uma mensagem.
-Você é um de seus subordinados?
-Pelo contrário, queremos que nos ajude a investigar Donattelo. Sou da CIA.


Capítulo II

-Por que eu fui chamado de volta a máfia? E por que eu devo investigá-lo?
-Bem,, você tem tempo? Vou ter que lhe contar desde que você saiu - exclamou meu perseguidor.
-Com licença - nos interrompeu uma bela moça – são 3:50, estamos fechando. Se quiserem, posso fazer os cappuccinos e colocar para a viagem.
- Muito bem bela moça – disse o agente tirando seu chapéu- a senhorita teria também algum salgado?
- Os salgados acabaram, mas posso lhes fazer um sanduíche. Claro, se quiserem – nos ofereceu a jovem.
- Muito bem, nos faça o melhor sanduíche que puder, e depois – o agente virou-se a mim – vamos conversar a beira mar.


Ela nos deixou, e foi para a cozinha preparar nossos lanches. O homem se levantou, retirou o sobretudo. Vestia um terno azul-marinho, usava um óculos de grau onde se escondiam seus olhos acinzentados com um tom de mistério. Seu cabelo era curto, típico de agente, porém não se define sua cor, era algo entre o castanho e o louro-escuro. Um homem esquelético, com veias um pouco saltadas, seus braços morenos e seu rosto empalidecido. Era jovem.
- Parece que vai demorar um pouco. – disse o agente – Deixe-me apresentar, sou Christian Sage – ele me estendeu a mão – muito prazer!!
- Prazer, eu sou... – apertei sua mão.
- E sei quem é você, - me interrompeu – e recomendo não comentar seu nome com mais ninguém; ou pelo menos, não o verdadeiro.
- Faço isso desde quê saí da máfia. Além de mim, apenas Donattelo sabe meu nome original, espero. Aliás, qual é o meu nome Sr. Sage?
- Cersei Santian, este é o seu nome.
- Desculpem a demora senhores, - a jovem me assustou, mas o perfume era delicioso – fiz o melhor que pude. Espero que gostem – disse-nos com um grande sorriso, porém sua boca era pequena.
- Muito obrigado senhorita......
- Clara – a menina interrompeu – me chamo Clara.
- Obrigado Clara, e garanto que estará bom.
- ... – a menina ficou vermelha de repente, era jovem como ele – certo, tudo ficou 12 dólares.
- Eu pago caro amigo – Sage me disse – aqui está. – disse ele entregando uma nota de 100 dólares – fique com o troco em perdão do nosso incomodo.


Ela agradeceu e saímos a andar, descendo a rua, em direção à praia. Sage colocou seu sobretudo e seu chapéu indagando sobre o frio da maré. Disse-me:
- Bem, vamos começar, desde antes de você ter saído.

Capitulo III

- Que café delicioso, acho que vou voltar mais vezes neste lugar. - iniciei. Começamos a andar pela escuridão da noite, com as luzes da rua levemente iluminando pela péssima iluminação pública de Nova Iorque.
- Realmente, mas ainda prefiro um pouco mais forte. Bom, deixe-me pensar, por onde começo..........
- Talvez com a morte do pai de Donatello? Primo Pianta? - auxiliei.
- Este realmente é um excelente ponto.Com a morte natural de Pianta e o “sumiço” de seu filho mais velho todos os negócios da família ficaram nas mãos de Donatello, correto?
- Isso mesmo senhor, mas isso já fazem 20 anos e me afastei da máfia a pelo menos 10 anos.
- Sim, mas ajudê-me a lembrar de outro detalhe, você começou a trabalhar com 22 anos para a máfia, correto?
- Bom, eu nasci na máfia, meu pai devia ao Primo Pianta por lhe trazer da Itália. Minha mãe não sobreviveu ao meu parto, e ao chegar aqui meu pai negociou com Primo Pianta para que ele ficasse com trabalhos mais pesados enquanto eu crescia como se fosse filho de Pianta.
- Sério? Eu estou investigando este caso à quase 15 anos e nunca fiquei sabendo disso.


Chegamos à praia Grove e começamos a andar pela areia firme, o que restou dela pela maré alta.
- A única pessoa que sabia disso ainda viva é Donnatello. Ele leu e queimou o diário de seu pai. Me disse que o queimou pois era perturbador, parecia um livro de terror e Donatello nunca gostou dessas coisas né. Mas enfim, segundo ele, no diário estava escrito que os outros documentos onde indicavam eu ser um filho bastardo de uma grande amiga dele que este salvou após um acidente com os pais, no diário estava escrito também que fazia parte do acordo com o meu pai. Posso lhe pedir um favor agente?

Comecei a abrir o pacote do meu sanduíche. - Claro, se eu puder cumprir......
- Mantenha nos arquivos que sou irmão de Donatello e que essa história fique entre nós, tudo bem?
- Posso sim, mas, isso quer dizer que você irá ajudar com as investigações?
- Antes de te responder, o que os arquivos dizem sobre mim? Ou seja, o que você sabe sobre mim?
- Que o senhor é o braço direito de Donatello, mas foi contador na época de Pianta. Diz também que estava desaparecido , e isso aconteceu desde que a família inteira sumiu do radar.
- Por quê ainda tem um grupo de investigação atrás de nós?
- Senhor, a agência não gosta de pontas desatadas, tanto que só querem entender o que aconteceu. Tanto que antes de eu assumir a investigação os arquivos todos eram da divisão terrorista do FBI.

Parei de andar, olhei a ele, tomoei mais um gole do café que estava esfriando rápido e respondi.
- Agora estou entendendo um pouco melhor o que está acontecendo Sage. Eu vou auxiliar, mas entenda, meu objetivo é limpar o nome de meu irmão.

Cartilha de Armonização de Vinhos Vol. 1

Introdução

Quase meia noite, vi em meu relógio, enquanto voltava para casa nesta pequena rua escura que posso não saber o nome, mas a chamo de atalho. Mais um dia se passou, dessa vez tive que trabalhar até mais tarde, preciso terminar todos os documentos e levar junto com a planilha para o banco. Amanhã é o último dia. Apesar que, todo ano é a mesma coisa, fazem 5 anos que trabalho neste supermercado, não é muito grande, mas o suficiente para precisarem de um contador. Trabalho honesto, justo. Nem sempre foi assim, mas desta vez estou definitivamente próximo da aposentadoria.



Capitolo 1


Quando você já viveu o suficiente, para ter diversos tipos de experiências você percebe quando está sendo seguido. Ainda mais quando esta pessoa está com um sobretudo preto e um chapéu…. Bom, pode ser coisa da minha cabeça. O tempo faz isso com nós. Atravessei a rua, somente a confirmar se ele está me seguindo. Apesar que se ele for bom nisso, não vai cair neste simples truque.

A que bom, ele atravessou também, pode ser um bobalhão…. Porque estou feliz dele estar me seguindo? Agora estou chegando em casa, infelizmente a polícia mais próxima está a alguns quilômetros, este é o problema de se morar nos subúrbios. O bom de se morar em esquina é que se eu virar e entrar rápido suficiente posso despistar dele. Apenas mais duas quadras e chego em minha rua. Vamos fazer uma conta rápida, vamos ver, ele parece estar a 50 metros de mim, pelo menos, um ser humano normalmente anda a 5 quilômetros por hora, apesar daquele tamanho todo parece estar seguindo minha velocidade, convertendo…. Aproximadamente 1.4 metros por segundo, o que me deixa com uma janela de 35 segundos e pouco. Melhor trabalhar com uma margem de erro de 30 segundos. Pouco tempo para abrir as duas fechaduras e subir a escada para meu pequeno apartamento. Melhor ja separar as chaves, porem nao posso deixá-lo perceber que estou prestes a entrar em casa.

Viro em minha rua, desesperadamente tento abrir as fechaduras, meus dedos ja nao sao os mesmos quanto a 20 anos atrás. Consegui. Vou entrar e subir rapidamente, não tenho tempo de fechar a porta, se ele e mesmo um bobalhão, ele não vai perceber e passar reto. Corro as escadas, e sigo pelo corredor escuro, a porta de meu apartamento não se consegue ver da porta da rua, basta eu nao fazer barulho. Consegui, entro suavemente, quando comeco a fechar a porta do apartamento escuto a porta da rua se abrir e uma voz se direciona a mim vindo dela:
• Boa noite senhor, quero apenas conversar e entregar-lhe uma carta.
Pensei, não basta parecer, a voz também e de um bobalhão, mas demorei para conseguir entender o seu sotaque.
• Por favor, nao me veja mal meu senhor, Donnatiello me enviou, disse que era seu amigo.



Capitolo 2


Parei, não ouvia este nome a anos. Donnatiello Oscuro Gabrielli, realmente, ele fez parte da minha vida, e por muito tempo.
• Entre, mas feche as portas, não podemos confiar em todos. - respondi ao bobalhão - Aceitas vinho? Creio que ainda tenho uma garrafa de porto, não é das melhores, mas é barata, porém satisfaz.

Ouvi fechando a porta e subindo os degraus, enquanto isso pegava duas taças, e abria a garrafa. Este parou, tirou seu sobretudo e pos entre os braços, retirou o chapéu e entrou, teve que se abaixar, era maior que a própria porta. Enquanto eu, um senhor meio franzino.
• Peço-lhe licença.
• Poi nao, sente-se - e apontei para o sofá, enquanto me sentei na poltrona, entreguei a pequena taça para as grande mão do bobalhão e acendi a luminária.
• Então senhor, Donnatiello pediu-me para procurá-lo, disse que estava preocupado com seu velho amigo e gostaria de tê lo de volta ao seu lado. Foi tudo o que ele me disse e me entregou esta carta. - começou a procurar em seus bolsos pelo pequeno envelope de papel, murmurando - onde eu coloquei? Donnatiello me mata se estiver esquecido.

Por um momento ele parou, olhou para cima tentando lembrar onde colocou. Após um tempo olhou a mim e sorriu, pegou seu sobretudo que tinha pendurado no braço do sofá. Procurou nos bolsos internos, tirando um pedaço de papel amarelado e me entregando.

O envelope estava lacrado, com um selo de cera e o símbolo da família de Donnatiello. Olhei para o envelope e depois para a montanha que tinha acabado de dar o último gole no vinho, colocando a taça na mesa de centro e se levantando. Pegou o seu casaco e disse: • O vinho não é ruim. Em agradecimento pela sua gentileza lhe darei de presente uma garrafa de um dos melhores vinhos que tenho.
• Nao precisa….
• Mas eu quero dar-lhe, nem todos são educados como o senhor- disse ao passar pela porta e cortando minha fala. Acompanhei-o enquanto descia as escadas e dizia - tem muitas pessoas que dizem que os vinhos do sul da italia nao sao bons. Temos vinhos que são únicos e fabulosos, gosta de vinhos bem encorpados?? Pode ser um vinho um pouco doce?
• Sim, mas…
• Ótimo, sei perfeitamente qual vou lhe enviar, apesar de ser uma garrafa simples seu sabor é fantástico, pode confiar. - disse ele passando pela porta, olhei a rua atrás do homem, estava uma névoa forte onde conseguia ver os raios de luz do fraco poste e antes mesmo de uma hora da manhã. Ele colocou seu chapéu e continuou - Antes que me esqueça, Donnatiello pediu para lhe dizer que você sabe onde o encontrar. - deu uma pausa olhando para mim. - nao quero lhe incomodar mais, obrigado por tudo, boa noite meu senhor.
• Boa noite - respondi enquanto o via ser engolido pela névoa durante sua caminhada rua abaixo.

Tranquei a porta que outrora deixei aberta. Subi as escadas e fechei a porta de minha humilde casa. Virei-me e olhei para a luminária acesa, que iluminava e trazia brilho a cera roxa utilizada para lacrar a carta. Apaguei a luminária e fui dormir, deixando minhas imaginações sobre o que seria a carta pairarem sobre minha mente, até que Hypnos me levou para visitar seu mundo.



Capitolo 3


Acordo naturalmente com todo o barulho de carros, criancas brincando. Sento na cama, minha única companhia apenas levanta os olhos e volta a dormir. • Vênus, sua preguiçosa.

A gata de coloração escura, ela é descendente de uma linhagem de gatos noruegueses da floresta ganhei de uma senhora aqui na rua que iria se mudar e nao podia levar com ela, olhou novamente para mim e retornou a dormir, mas desta vez a ronronar. Olhei meu antigo celular, já eram 10 horas da manhã. Acabei dormindo duas horas a mais que nos meus dias normais.

Sai da cama, coloquei meu chinelo, uma calça e uma camiseta qualquer. Liguei o fogão, coloquei uma chaleira cheia de água e desci pegar o jornal daquela manhã. Ao abrir a porta da rua, vi uma caixa de papelão com um bilhete escrito: Grazie, signore. Olhei em volta, parecia que realmente era para mim, porém não é seguro abrir aqui na rua. Coloquei o jornal em cima da caixa e levantei para levar para dentro do apartamento, ouvindo o barulho de vidro batendo dentro da caixa.

Deixei as portas abertas mesmo, já fiz muito esforço para levar a caixa acima, sentei na poltrona para descansar. Até ouvir o barulho da água fervendo e me desesperar para ir desligar o fogão. Preparei um chá, que nunca tinha ouvido antes, mas era uma novidade no supermercado, Oolong, para aqueles que se interessam por chás, uma dica, nunca coloquem a água fervendo, você queima a erva, não importa qual chá seja, até mesmo café, assim você experiencia todo o sabor. Enquanto esperava, peguei um ovo e duas fatias de bacon, apenas peguei uma frigideira, coloquei as fatias de bacon, quebrei o ovo, uma pitada de sal com ervas finas. Aquele barulho da fritura me traz uma fome, creio que dá pra descer e trancar a porta que deixei aberta. Desço as escadas, abro a porta e admiro o movimento da rua, um grupo de crianças a andar de bicicleta, enquanto carros antigos surrados dos moradores da região, trabalhadores que fazem o trabalho necessário para o país se movimentar. Uma alameda de casas simples com alguns pequenos apartamentos muitos com os tijolos a vista, muitas muito antigas. Vejo a minha vizinha que mora no apartamento de baixo desta pequena casa de dois andares, vejo a senhorinha, aposentada, a dona deste local que posso chamar de lar. Ela a regar sua pequena jardineira, florida o ano todo, admirada por todos que passam por esta rua. Ela me chamou com um sorridente bom dia.

• O dorminhoco acordou tarde hoje hein. Bom dia meu bem, está com um admirador secreto é? Mas cuidado, ele é meio mal encarado, mas parece meio bobão. Mas e aí, o que você ganhou, hein? • Fofoqueira como sempre hein senhora Edna, não se preocupe é só um presente de um velho amigo. - disse para não preocupar a senhora, aliás não faço ideia o que era e quem enviou aquela caixa, poderia ser qualquer coisa - Ainda não vi, depois te conto. Mas lindas flores! São novas? • Você sabe como adoro novas plantas bem, são hortênsias, adoram o tempo assim, gélido. • São lindas senhora Edna. Tenha um ótimo dia! • Para você também meu bem.- ouvi ela me respondendo enquanto trancava a porta.

Subi a escada com a imagem das hortências rosas na varanda em minha mente, que me lembra de algo do meu passado, vago, minha mente não é como jovem, tenho muitas memórias, porém não consigo pensar nelas. No último degrau ouço o som do meu café da manhã sendo feito. Pus-me a correr. Vejo que meu café da manhã terá ovo duro e bacon bem passado. Não é meu favorito, mas pelo menos não queimei. Um prato, duas fatias de pão, faço um pequeno sanduíche pra mim. Sento no sofá, o único outro assento na casa é minha poltrona, a minha frente vejo a caixa que carreguei pela manhã, acima dela o jornal.

Nesta manhã as notícias não chamavam a minha atenção. Mordida a mordida minha ansiedade de abrir a caixa aumentava. Levei meu prato para a cozinha, lembrei do chá, coloquei em uma caneca para experimentar. Possui um sabor um pouco amargo, delicioso, porém não parece ser o melhor para beber comendo algo….. Lendo a caixa, importada da China falei em voz alta para mim mesmo: • Realmente o senhor Samuel - meu chefe e dono do supermercado - teve uma boa visão, há um crescente número de clientes asiáticos ou descendentes de, trazer produtos importados é um grande atrativo. Devaneando, presto atenção para um pequeno texto na caixa, não adicionar leite ou açúcar. Não tenho leite, porém me desperta a curiosidade de adicionar açúcar. Nunca fui fã de bebidas açucaradas, porém sei que muitas pessoas em meu entorno adoram, uma colherzinha não deve fazer mal….

Ao beber sinto minha vida se esvaindo pela minha garganta com um sabor extremamente amargo. Realmente, deve ser interessante alguém querer beber um pouco mais doce e encontrar algo amargo como isso. Enfio minha boca na torneira e a abro bebendo parcialmente a água que cai. Ao eliminar aquele sabor horrível da boca, joguei o chá adoçado fora, lavo a caneca e encho com chá sem açúcar para me acompanhar enquanto lavo a louça do meu café da manhã. Ouço um miado e sinto minha perna sendo roçada por uma grande bola de pêlos, e reclamo: • De novo Vênus, já basta você me acordar para colocar comida às 6h30 da manhã.

Relutante, término de ensaboar a louça, enxaguou a mão, tomei um gole do chá e vou colocar comida para a gata que não parava de reclamar. Retornei para enxaguar o resto da louça. Peguei uma faca pequena e minha caneca, retornei para o sofá. Coloco a faca em cima da caixa e retiro o bilhete dobrado colado por um simples durex torto, na parte de fora lê-se: Grazie, signore. Com letras de forma, não eram lindas como artistas de caligrafia, contudo não eram garranchos. Abri e li, com o mesma letra estava escrito: Por favor, considere os pedidos de Donnatiello.

Verdade, olho para a mesinha de canto ao lado de minha poltrona, a carta ainda estava lá com seu selo roxo em formato do brasão da família Gabrielli. Havia me esquecido de ler, como era tarde da noite, havia me preocupado com minha sanidade e resolvi dormir. A carta, a caixa…. Com certeza abrir a caixa seria mais excitante! Mais um gole de chá para boa sorte. Pego a faca e passo nas junções da caixa de papelão de cor tradicional marrom rompendo a fita adesiva que a mantinha lacrada. Ao abrir a caixa vejo 12 garrafas fechadas de vinho. O bobalhão realmente enviou vinhos para mim, que nunca conheci.

Retirei uma das garrafas. Um vidro escuro e com um rótulo amarelo e branco, bonito, pode-ler: Notte Rossa, primitivo de manduria. Mal consegui adimirar a garrafa, meu relogio de parede tocou, eram 11 horas da manhã, de uma sexta feira, dia de fazer compras. Como trabalho em um grande supermercado a partir das 14 horas, tenho costume de sair fazer compras e passear um pouco antes de ir para o supermercado, e faço minhas compras da casa no trabalho, aproveitando o desconto de funcionário, não é muito, mas ajuda, pois os produtos ficam a preço de custo. Corri para o chuveiro limpar o corpo e lavar o cabelo, tenho sorte de ainda tê-los, mesmo grisalhos. Uma calça jeans, a primeira camiseta que estava na gaveta, uma jaqueta de couro e uma boina. Amarro meus sapatos, pego um relógio de pulso, a carteira e uma garrafa. Saio trancando as portas, paro na frente da casa da Senhora Edna, retiro minha boina e toco a campainha.

• Calma aí meu filho, já estou indo - respondeu de prontidão - essas pernas velhas já não são como antes. Esperei algo de dois minutos ate ela abrir a porta.
• Se eu fosse te contar uma fofoca a senhora viria mais rápido né?
• Aaa, é você querido? Precisa de alguma coisa?
• Então, sabe aquela caixa que recebi? Tinha doze garrafas, então resolvi trazer uma pra senhora. Parece ser um vinho muito bom, então aproveite.
• Sério, para mim bem? Muito obrigada!
Acenei para ela enquanto me virava para iniciar minha caminhada, coloco de volta minha boina.



Capitolo 4


Um dia em que muitos diriam feio, nublado com chance de chuva durante a tarde. Mas eu adoro esses dias. Claro, prefiro ficar em casa, ouvindo meus discos e tomando chá. Mas mesmo assim não é um dia ruim para sair, exceto se realmente chover, pois as ruas ficam cheias de poças d’água e sempre piso numa dezena dessas e encharco meu pé. Bem quando meu pensamento voa sobre este assunto, passo em frente a uma loja esportiva com uma propaganda enorme de um tênis à prova d’água feito de bambu…
• Nossa, deve incomodar bastante o pé com os bambus cutucando.
Pensei em voz alto admirado pela propaganda e continuei a minha caminhada. Bom, acho que ninguém iria vender um calçado como esses deve ter o mínimo conforto, mas não confio.

Recentemente notei que há mais pessoas andando de bicicletas por essas ruas, deve ter aberto uma loja nova por aqui, tem muitas bicicletas bem novas, extravagantes e de vários estilos, como se os anos 80 estivessem voltando. Lembrei-me de um causo, um dia estava saindo mais cedo do supermercado, pois uns dias antes tive que trabalhar mais que o dobrado, é sempre assim em janeiro e fevereiro, ajustando toda a papelada para os impostos, enfim depois da correria com a papelada tenho muitas horas para tirar, neste dia estava saindo 2 horas antes, acabei entrando e pegando um pouco de carne moída no açougue e fiquei encarando a farinha por um bom tempo, nao sabia se faria um kibe ou porpetas para o jantar. Uma moça jovem, parecia ter uns 22 anos no máximo, puxou conversa:
• Bonita boina senhor!
Virei-me e olhei intrigado para a menina, olhei para cima e vi minha boina azul marinho, eu sempre coloco mas nunca percebo que estou usando, já virou parte de mim.

• Obrigado, tenho ela já faz um bom tempo.
• Eu gostei, é diferente, não se vê muitas pessoas usando por aqui.
• Ganhei dos meus pais quando eu tinha ainda a sua idade, me disseram que era do meu avô.
• É um clássico com uma pegada meio vintage, muito interessante, porém como você ainda não foi expulso por estar usando essa boina aqui dentro? O povo não gosta porque acha que é falta de educação.
• Hahaha, não se preocupe criança, trabalho aqui, meu chefe me deixa usar a boina, aliás, eu não sou daqui.
• Nem percebi que o SENHOR não era daqui, de onde você é então? Aliás, por favor não me chame de criança, eu já sou uma mulher feita, tenho até o meu próprio ateliê.
• Não se preocupe, moro aqui desde meus 5 anos, sou natural da itália, meus pais vieram fugindo do Mussolini. Como cresci com os costumes de meus pais italianos, lá é comum usar boina, principalmente em dias frios como esse. Acabei conversando com o meu chefe e ele me autorizou pois me disse que fico mais elegante com ela.
• Realmente tenho que concordar com ele, bom, se precisar de boinas novas ou até um novo blazer pode me chamar no meu ateliê, este aqui é o meu número. - Ela me entregou um pequeno pedaço de papel amarelo com Silhouette escrito por uma caneta rosa de bela caligrafia, seu nome e número estava abaixo - Desculpe, não coloco o endereço pois meu ateliê fica em casa, então sempre vou até o meu cliente. Até mais…
• Espere, moça, só mais um minuto, consegue me ajudar? Kibe ou Porpetas? - ela deu um pequeno sorriso, pois achou que seria algo super importante, mal sabia ela que eu estava entrando em uma crise existencial simplesmente para decidir o meu jantar.
• Bom, sempre gostei de um bom espaguete com porpetas, obrigado.

Ela apenas deu um sorriso e começou a andar em direção ao caixa, carregando uma cesta com várias caixinhas de chá e uma garrafa de vinho barato. Avanço para o setor de massas, enquanto tento escolher a marca da massa de espaguete, começo a pensar na moça com sua garrafa de vinho barato, quando resolvo olhar para a entrada do supermercado e vejo a moça saindo e se encontrando com uma outra jovem moça



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